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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

“Entendes o que Lês?”

Em Atos 8:26-40 conta a famosa história do evangelista e teletransportador Filipe ("Jumper" bíblico). A história é impressionante, pois fala de um homem que é chamado pelo Espírito Santo para ir até a deserta estrada de Jerusalém a Gaza. Ele prontamente atende. Chegando lá o Espírito Santo lhe pede para alcançar uma carruagem. Filipe sai correndo, fica de butuca no que está acontecendo na carruagem e percebe que o homem que nela está, um eunuco etíope e também ministro da Fazenda da rainha Candace, estava lendo o livro de Isaias. Especificamente o texto que se encontra em Isaías 53:7-8. Como as pessoas daquela época tinha o hábito de ler em voz alta, Filipe o ouviu lendo e logo perguntou: “Entendes o que lês”?

A pergunta de Filipe é muito mais importante do que o fato espantoso de ter sido teletransportado logo em seguida (após o batismo daquele homem, ele desaparece diante dos olhos do etíope e reaparece imediatamente em Azoto a mais ou menos 50 quilômetros de onde ele estava). O mais importante nessa narrativa esta na pergunta “Entendes o que lês?”

Se Deus tem a intenção de se comunicar conosco e por isso revela a verdade por meio de sua palavra inspirada. Que validade terá se não entendermos o que nela está? De que adianta ler a Bíblia se você não está entendendo o que está lendo? Estudos demonstram que o Brasil é, infelizmente, rico em analfabetos funcionais. Pessoas que lêem e não entendem. Mas ler a Bíblia e não entende-la te faz um outro tipo de analfabeto, o analfabeto espiritual. Ele não entende o que a Bíblia quer dizer. E isso é um grande problema por três motivos.

1) 1) Ficamos desmotivados

Se lemos e não entendemos, facilmente desistiremos desse esforço. Já é difícil de conseguir tempo e motivação para leitura no Brasil, ainda mais se não entendemos o que estamos lendo. Ai realmente, a leitura não faz sentido. Quantas vezes você já pulou a leitura de textos de Isaías, Ageu, Habacuque, Miquéias, Números e etc??? A dificuldade para compreender esse texto já te desmotivou por muitas vezes, não?

Já o contrário também se aplica. Como é bom quando encontramos verdades desconhecidas por nós. Quando aprendemos. Quando entendemos. Queremos sempre aprender mais, crescer mais e entender mais.

2) 2) Nos equívocamos com facilidade

Nietzsche disse: “Eu fiz isso’, diz minha memória.
‘Eu não posso ter feito isso’, diz meu orgulho, e permanece inflexível. Por fim a memória cede."

Estamos a mercê de nossa natureza pecaminosa, por isso a Bíblia diz que “Enganoso é o coração do homem” (Jer 17:9). Sendo assim, nosso orgulho manipula nossa razão ao ponto de negarmos uma verdade vivida e confirmada (como no exemplo de Nietzsche). Isso é a causa de muitos equívocos e más interpretações do texto bíblico. Nós facilmente dobramos a verdade a nosso favor, a favor de nossos interesses. E ao invés de entender o que Deus quer nos dizer, nós preferimos acreditar que Deus disse o queremos.

3) 3) Não recebemos o recado de Deus

E pelas razões anteriores acabamos perdendo o melhor de tudo. A possibilidade de conhecermos a Deus, de ouvirmos sua voz, de entendermos o Seu recado para nós. Que perda. O autor do Universo, da vida e da salvação, a personificação da verdade e do conhecimento, presente e futuro, a disposição do ser humano para respostas e nós O estamos entendendo muito pouco.

Alguns acham que se Deus está realmente tentando se comunicar conosco ele usou algum tipo de mágica em suas palavras (que na verdade são as palavras doas autores bíblicos, Deus não escreve nada, exceto os 10 mandamentos, o resto Ele INSPIROU). Um tipo de mágica que faz com que cada um leia e entenda o que quiser. Mas isso é um engano. Isso faria com que a verdade fosse relativizada, a mente e o cérebro humano se tornassem inúteis e obsoletos e não houvesse razão alguma para nossa fé. Exceto a fé em nós mesmos, no que cremos e pensamos. Egocentrismo.

No entanto temos suficientes pontos de referencia para saber exatamente o que Deus quer nos dizer ao entender o que exatamente o autor queria dizer. Por isso a Bíblia foi escrita por seres humanos em Hebraico, Aramaico e Grego. Para que tivéssemos pontos de referências humanas, históricas e lingüísticas. Se Deus escrevesse o texto, em Sua própria língua, e no Seu próprio contexto, como entenderíamos? Ainda que soubéssemos os significados das palavras jamais seriamos capaz de entender o que Ele realmente queria dizer, porque sem referências comuns ao nosso contexto estaríamos livres para interpretarmos o que quiséssemos. Ainda bem que Deus é muito mais sábio que nós.

Preguiça Espiritual

O grande problema tanto no Adventismo como no mundo cristão em geral está na preguiça espiritual. Não queremos entender. Esperamos que alguém nos faça entender. Como o etíope. Ele responde a pergunta de Filipe assim: “Como entenderei, se não há quem me explique?”

A grande maioria de nós está a espera de alguém que nos explique a Bíblia, as verdades, quem é Deus e como me salvar e salvar a outros. Estamos aguardando sempre um pastor, ou um guru espiritual traduzir para nós o que a Bíblia quer dizer. É como se Deus tivesse lhe enviado um e-mail e você tivesse dado a sua senha pra outra pessoa a tanto tempo que já se esqueceu qual era. E agora fica a mercê do púlpito, do pastor, dos livros, dos blogs e de qualquer coisa menos do seu próprio relacionamento com quem te enviou o recado.

Deus quer que VOCÊ entenda o que lê. Ela quer falar com VOCÊ. A Bíblia esta endereçada a VOCÊ! Contudo isso tenho tentado te dizer que não basta ler, tem que entender. Não adianta fazer ANO BÍBLICO sem entender o que está lendo. Não adianta. Eu sei que pra entender você terá que dispensar tempo e esforço. Ler outros livros, outros autores, comentários, pensar bastante, perguntar a alguém. Mas por favor LEIA e ENTENDA.

DICA:

Muitas pessoas não lêem regularmente a palavra de Deus por não saberem por onde começar. Uma boa dica é escolher um livro qualquer da Bíblia e Lê-lo até o final. Mas aqui está o detalhe. Leia entendendo ponto a ponto. Se não for capaz de entender um verso, não passe para o próximo. Tente entender o contexto, pesquise na internet as cidades citadas, as distancias, enriqueça sua experiência ao ponto de conseguir imaginar a narração com fidelidade. Ao fim de cada período de leitura, reflita e tente tirar as verdades que Deus quer lhe mostrar, tente escutar a voz do Deus que Inspirou o texto.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma Fonte para a Sabedoria Secular

Há alguns meses, tenho prestado atenção e tomado nota das frase denominadas: “Sorte de Hoje” do Orkut. Um recurso, no mínimo bem humorado, que intenta lançar pequenas pérolas de sabedoria para a vida diária dos usuários. Pode parecer um recurso sem pretensões, mas que tem se popularizado com o tempo por realmente apresentar algumas frases de extrema sabedoria para a vida prática.

No entanto, comecei a reparar que muitas dessas frases nada mais são do que ecos do pensamento bíblico. É isso mesmo! Da Bíblia. Por mais engraçado, ridículo ou inesperado que possa parecer a maioria das frases que aparecerão para mim tinham algum eco na Bíblia. Estou com isso dizendo que os autores do Orkut são cristãos, ou mesmo intentam pregar o evangelho pelo Orkut ou estão fazendo uso de sabedoria Bíblica propositadamente??? Não! Tenho certeza, embora essa seja apenas minha opinião, que nem mesmo eles estão a par da conexão de suas frases feitas com o que a Bíblia ensina.


Ao longo de alguns meses, sempre que acesso o orkut, reparo na frase, e me lembro de aproveitar muitas delas se não a maioria. Assim, fui guardando cada uma das frases que encontrei e aqui está uma breve compilação do que elas dizem, em comparação com o que a Bíblia diz.

Sorte de hoje: Uma das maiores vitórias que se pode conquistar é derrotar um inimigo pela gentileza. (Rom 12:21; 1 Tess 5:15; Pro 15:1; Pro 29:11; Mat 5:39 - 42)

Sorte de hoje: A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros! (Luc 9:24)

Sorte de hoje: Todas as gerações dão risada da moda antiga, mas seguem religiosamente a moda atual. (Ec 1:9)

Sorte de hoje: Os tolos e os fanáticos estão sempre seguros de si, mas os sábios são cheios de dúvidas. (1 Cor 8:2)

Sorte de hoje: Os fracos nunca perdoam. O perdão é uma virtude dos fortes. (Mat 18:23-35; Luc 23:34)

Sorte de hoje: O amor conquista tudo. (Jo 3:16; I Cor 13:8,13)

Sorte de hoje: Se você não quer que ninguém saiba, não faça. (Pro 11:3; Luc 8:17; 12:2; Sal 90:8)

Sorte de hoje: A paciência é a arte da esperança. (Rom 8:24-25)

Sorte de hoje: Não deixe que a raiva tome o lugar da compreensão. (Pro 14:17; 29:11; Ec 7:9)

Sorte de hoje: Nossa força cresce de nossa fraqueza. (2 Cor 12:9-10)

Sorte de hoje: Trate os defeitos dos outros com a mesma consideração que lida com os seus. (Mat 7:34; Lev 18:19; Mat 22:39)

Sorte de hoje: Viver amanhã é muito tarde. Viva hoje. (Mat 6:34)

E como se não bastasse, encontrei também um eco de Ellen White:

Sorte de hoje: Estude como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã.

Depois de tudo isso fica claro uma coisa. A Bíblia é sempre atual e sua sabedoria excede a capacidade de desenvolvimento humana. Verdades como essas acima expostas só puderam ser compreendidas e assimiladas (e muito mal em alguns casos ainda) depois de anos de desenvolvimento do pensamento humano. Mas já estavam lá na Bíblia. Ainda que alguém deseje ilegítimar a sua autoria divina, ainda assim fica provado que a Bíblia possuí conteúdo relevante aos tempos modernos, verdades transcendentes e práticas para a vida daqueles que desejam saber como viver. Daqueles que gostariam de ler um “manual de instruções” da vida prática do ser humano. Muito antes de Nietzche, Marx, Choppenhauer, Kant, Sócrates e outros que tanto criticam quanto aludem a idéias bíblicas, a verdade para o tempo moderno, para como devemos viver estava lá. Disponível.

Me impressiona notar que essas verdades estão disponíveis a todos pelo título de “Sorte de Hoje” e que ainda assim fazem sucesso e há muitas pessoas que não só prestam atenção como também estão aprendendo, realmente, alguma coisa com elas. Mas se fosse “Mensagem da Bíblia” muitos ainda torceriam o nariz, se é que não ignorariam. Mas pelo formato secular, em um veículo secular, e claro originando-se em mentes seculares que nada tem a ver com a Bíblia, se tornam facilmente populares. Eu gostei muito disso. É a sabedoria popular e moderna mostrando o que a bíblia tem a oferecer. Talvez essa coincidência tenha sido um tiro pela culatra do pensamento secular... Mas quem liga?

Me importa sim, que a Bíblia tem muito a oferecer. E mesmo os que não crêem em sua divina inspiração, tem razões de sobra para no mínimo procurar com seus próprios olhos entender esse livro estranho. Pretensioso e simples, amado e odiado, velho e atual.

Participe você também! Compartilhe conosco esses achados, quando perceber o eco de uma verdade bíblica em uma frase do orkut, ou outro lugar inusitado, acrescente nos comentários deste post.

[Pr. Diego Barreto - Contexto Moderno]

sexta-feira, 24 de abril de 2009

"100" razões para uma vingança!


Essa é grandinha, mas espero que valha a pena!

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Quem não conhece essa máxima ou é muito novo ou muito velho, ou talvez não gostasse de Chaves. Mas independente do apreço pelo velho seriado mexicano, todos nós temos algo em comum. O desejo de vingança. Natural e comum, ele nasce do desejo pessoal que todos tem em encontrar justiça. Mesmo aqueles que talvez neguem ao desejo de vingança a sua existência, por razões conceituais, morais ou religiosas, precisam assumir que estão reprimindo (ou já reprimiram em definitivo em algum momento anterior) um desejo automático, quase fisiológico.

O Cristianismo apela contra a vingança nas palavras de muitos autores incluindo Jesus. O argumento do Cristianismo é que cabe ao Juiz fazer justiça. Estes são os lideres e autoridades de nossas sociedades (Rom 13). Ou mesmo o Deus Criador (“A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. Rm 12:19). Tudo bem, eu sei que toquei num ponto controverso aqui. Alguns duvidam da existência de Deus outros argumentam a favor da sua ausência em nossa realidade. Mas independente do que se pensa sobre Deus, encontramos na própria necessidade de justiça um estranho sentimento inato. Quem nos deu essa necessidade de justiça? Da onde ela vem? Por que o homem se atreve a sentir-se injustiçado? O fato é que sem Deus não encontramos muitas explicações para isso, Freud até tentou, mas C.S. Lewis derrubou seus confusos argumentos. Até o próprio Freud admitiu que “o impulso em direção ao ideal faz parte essencial de nossa constituição”. Mas deixando a questão do Teísmo de lado, foquemos no desejo de vingança.

5 Razões Por que a Vingança não compensa:

OBS: Usarei a Nomenclatura "Algoz" para o ofensor que merece receber a vingança e "Vítima" para o ofendido que deseja se vingar.

1 - Circula a injustiça viciosamente.

Quem é lesado sempre calcula uma parcela maior de justiça contra seu algoz. Isso é natural. Não queremos fazer ao outro exatamente o que ele nos fez, mas fazer um pouco mais. Essa semana vi na TV alguém dizer que “quem faz o mal recebe de volta em dobro”. Achei engraçado, quem foi que disse isso, de onde o locutor tirou essa idéia? O direito de milhares de anos tem se apoiado no antiqüíssimo e Hamurábico código replicado também pela Bíblia, do “olho por olho e dente por dente”. Mas parece que nossa sociedade moderna já tem se apropriado de um conceito de justiça que duplica a pena do algoz em nome da justiça. Esse é um bom exemplo de como temos a tendência de supervalorizar nossa dor e nosso desejo de vingança. O que aconteceria se alguém levasse a cabo a suas demandas pessoais de vingança?

É bem óbvio, o algoz, agora ferido “justamente” se acharia injustiçado pelo excesso de “justiça” e tentaria re-equilibrar a balança da justiça. Assim se inicia um circulo vicioso de destruição que só acaba com completa derrota de um dos dois algozes.

2 – Iguala os atuantes.

Sim, os dois são algozes agora, porque um é perpetrador do mal do outro. Se igualam por que um excede a causa de justiça do outro e ambos são transgressores da verdadeira justiça, que teimam em “defender” em nome de seus próprios interesses.


3 – Impossibilita a verdadeira justiça.

A dor intentada contra o algoz não surte o mesmo efeito nunca. Por exemplo, um amigo traído jamais conseguirá se vingar do ex-amigo na mesma forma e proporção necessárias porque ele simplesmente não é mais amigo do traidor. Isso muda tudo. Ninguém pode nos magoar mais do que quem amamos. Uma vez destruída a relação, não há a mesma confiança, não há sentimento de apreço, há uma relação de inimizade e o algoz provavelmente já estará aguardando uma digna retaliação o que tira todo o elemento surpresa e os efeitos devidos da ação contra ele. Afinal de contas, você sofre por que foi traído por quem amava, se você atacar agora, ele não sentirá a mesma dor porque já provou que não te ama. Retaliação nesse caso, é um tiro de chumbo comparado a uma bala de canhão.

Em alguns casos a vingança pode impossibilitar, definitivamente, a verdadeira justiça. Um exemplo disso é quando o marido se divorcia da mulher e ela por vingança tira tudo o que ele tem na justiça. O que parece ser justo, se demonstra injusto, porque o que ela perdeu foi uma afeição e tentou compensar com bens, o que pode ser um placebo imediato, mas que nunca preencherá o vácuo aberto pelo problema real: uma traição afetiva e não litigiosa. Uma traição afetiva só pode ser compensada justamente quando o algoz volta atrás e reconhece o verdadeiro valor da afetividade que ele pos a perder. Independente se a esposa aceitasse seu retorno ou não, a sua justiça é saciada pela compreensão de que sua perda afetiva não decorreu de um erro próprio, mas alheio. No entanto, quando a esposa resolveu o problema de sua vingança através da divisão dos bens, pode ter dado o material necessário para que o algoz nunca venha a reconhecer o valor de sua antiga relação. Podendo ainda, encontrar mais razões para racionalizar sua ação anterior. E a justiça nunca se fará real neste caso.

4 - Faz mal ao vingador.

É obvio que uma operação vingativa estressa tanto quanto realiza. A saúde sente tanto que existe uma antigo ditado romano que diz que o “ódio e um veneno que você bebe esperando que o outro morra”.

Outro fator importante é a inferiorização da vítima. Ora, se um idiota te agride, e você revida, você está agindo motivado pelas ações de um idiota, o que te faz um... idiota. Se eu me comporto de acordo com as ações de outro, estou dominado por ele. Em outras palavras, o vingador é dominado pelo algoz que dita suas ações. Podendo se tornar, inconscientemente, o perpetrador de suas emoções e decisões.

5 - Desequilibra o atuante.

Maturidade é a capacidade de lidar com perdas e ganhos. Se um rio recebe mais água que elimina, vai transbordar, isso é desequilíbrio. Se perde mais água do que recebe, seca, isso também é desequilíbrio. A consciência equilibrada entende que na vida há derrotas, perdas assim como ganhos e vitórias. Não se desesperar por uma perda, seja ela quão grande for, é uma atitude madura e equilibrada. Ter a consciência de que o mundo não acaba em uma perda é o essencial para se manter no jogo por muito tempo.

6 maneiras práticas de dominar o desejo de vingança:

1 - Entenda as 5 razões anteriores.
2 - Não deseje o mal, apenas a justiça, seja ela qual for, mesmo que diferente e independente do seu desejo.
3 - Lembre-se que toda justiça deve se aplicar em ambos os casos. Ou seja: coerência. Então aprenda você também a não se igualar ao seu algoz. Não espere de Deus uma justiça diferente para você e outra para o algoz.
4 - Seja paciente.
5 – Não perca seus pensamentos no assunto. Sem isto, será impossível superar a situação.

6 – Confie em Deus. Pra mim esse é o primeiro, mas para não gerar “pré-conceitos”, deixei aqui no fim da lista.

Por fim, esse não é nenhum "Guia Definitivo", nem falo com a autoridade de um terapeuta, falo apenas pela experiência própria. Para mim é menos complicado, resumo a questão em "deixar Deus ser Deus". É bem mais simples que tentar ser Deus no lugar dEle. Confio no verso 25 de Genesis 18: "Por acaso não fara justiça o Juiz de toda Terra"?

Mas pra você que não desiste dessa idéia de vingança, pense comigo... até hoje não conheci ninguém que tenha escrito um livro: "Me vinguei e mudei de vida" ou "Quem mexeu no meu queijo, morreu" ou quem sabe "O monstro e o Executivo". Já ví filmes e novelas fictícias contando belas histórias de vingança, mas quem que eu conheço que realmente se beneficiou com isso? Que história real demonstra o poder redentivo, restaurador e curativo da vingança? Talvez, no fim de tudo, a razão esteja com aquele velho ditado: "Vingança é um prato que se come frio". Afinal, o único objetivo de um prato frio, é saciar a fome.

Pr. Diego Barreto [http://www.contextomoderno.com]

sábado, 11 de abril de 2009

Sobre a Cruz e o Vinho

Quanto mais eu penso, mais percebo que a única contribuição que o homem pode dar no plano da salvação é o pecado! Isso mesmo. O pecado. É a nossa parte no plano da salvação. Porque não há outra coisa que possamos oferecer. Não há méritos para apresentar em nosso favor. A única coisa que temos a oferecer são nossos maus hábitos.

Estou dizendo isso porque me lembrei do primeiro milagre de Jesus. Em um casamento em Cana da Galiléia, Jesus e Seus discípulos foram convidados. Ele está iniciando Seu ministério e precisa mostrar aos Seus discípulos quem Ele realmente é. Num momento crítico da festa, quando o vinho se acaba. Não entendemos isso direito no ocidente do ano de 2009, mas no período ocorrido seria uma grande tragédia faltar o vinho no meio da festa. Jesus então, ordena que coloquem vinho em alguns vasos, e servir a água para o mestre-sala. Ao ser despejado no copo, a água não era mais água. Era o melhor vinho que aquele homem havia provado. Depois de muita festa e muito vinho, é de se esperar que ninguém mais tivesse paladar suficiente para perceber o sabor de um vinho. Por isso, era hábito guardar o melhor vinho para o fim. No entanto o mestre-sala se assusta ao perceber, depois de muito consumo, que aquele vinho era o melhor. E ele exclama com assombro a respeito do cuidado do noivo em guardar o melhor vinho para o fim. Mal sabia ele, que aquele tinha sido o primeiro milagre de Jesus. Presenciado apenas pelos servos da festa e pelos Seus discípulos.

Mas o que isso tem haver com a cruz? Se você ler Lucas 23:36 e João 19:29, vai reparar que na cruz, Jesus sentiu sede. Os soldados ao ouvirem as palavras de Jesus “Tenho sede!” molharam uma esponja na ponta de uma lança numa substância identificada no português como “vinagre”. Entretanto, a palavra grega utilizada ali é “oxos” que não quer dizer “vinagre” como o conhecemos, mas identifica uma bebida que os soldados tomavam e carregavam consigo. Uma mistura de vinho e água, ou vinagre e água. Resumindo bem, um vinho vagabundo que os soldados bebiam. Um tipo podre de vinho.
Ellen White chama no Desejado de Todas as Nações de “poção entorpecente”, mas Jesus a recusou assim que provou. “Não aceitaria nada que Lhe obscurecesse a mente. Sua fé devia ater-se firmemente a Deus. Essa era Sua única força. Obscurecer a mente era oferecer vantagem a Satanás” (DTN p.p 528). Até o último segundo o inimigo o tentou.

Mas sabe o que mais me impressiona nessa história? Que enquanto Deus desce e nos dá o melhor. Nos oferece o melhor vinho. Em Seu momento de dor e sede, nós O oferecemos o vinho mais vagabundo! Oferecemos um mal maior que o alivio necessitado. Oferecemos o que nós temos a oferecer.... nossa podridão. É só isso que podemos Lhe dar.

Ellen White também afirma que a maior dor de Cristo não está na opressão da morte de cruz, nos sangramentos ou nas feridas. Mas em ver o quão enorme é o nosso pecado, como ele nos torna cegos, escravos. Os anjos se admiravam ao olhar para esta cena, porque em todo aquele sofrimento Ele se recusava a pensar em Si. Pensava apenas em nós!

Em que você pensa?


Pr. Diego Barreto [http://www.contextomoderno.com]

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Seria Perverso o Deus do Antigo Testamento?

Algo mudou na vida nacional e particular dos judeus desde que Cristo terminou sua efusiva comitiva à Cidade Santa com a melancólica constatação: “Jerusalém, Jerusalém! Que mata os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mt. 23:37).

Pelos séculos seguintes, judeus oscilariam entre a ortodoxia rígida ou um agnosticismo indiferente, todavia sempre em contato com suas tradições religiosas peculiares. O próprio humor judaico costuma fazer troça de figuras dominantes (como Deus e os pais), em contraste com o típico humor ocidental, cujo alvo está nas minorias (negros, homossexuais, etc.).


Não é incomum ver judeus voltando-se de forma crítica para a Bíblia. Recentemente, livros como do jornalista A. J. Jacobs (“The year of living biblically”)
[1] ou artigos semelhantes ao do professor Benny Shanon[2] demonstram a que grau de repúdio os próprios judeus podem manifestar em relação à sua herança bíblica. Mais outro judeu veio engrossar a lista de filhos de Abraão revoltados: trata-se de David Plotz, entrevistado pela revista Época desta semana.[3]

Autor de “O bom livro: as coisas bizarras, hilárias, perturbadoras e maravilhosas que aprendi quando li cada palavra da Bíblia”, Plotz lançou primeiramente suas críticas à Palavra de Deus através de um blog. Para ele, “o Deus do Velho Testamento é perverso, mata muita gente sem razão, não é misericordioso, amoroso, não tem compaixão. É muito perturbador pensar que esse Deus esteja cuidando de nós. Fiquei muito bravo depois de ler [o AT] e passei a desejar que exista algo melhor.”[4]

Tudo começou, conforme relata Plotz, durante a leitura da história do estupro sofrido por Diná seguido pela vingança de seus irmãos (Gn. 34). O choque do autor é compreensível. Ainda assim, o fato da Bíblia relatar uma história não implica que sancione as ações morais dos envolvidos. Embora a Bíblia narre de forma sutil episódios humanos, muitas vezes sem apresentar julgamentos morais imediatos ou fazendo censuras lacônicas (repetidas ao longo do texto), temos que entender que o autor conduz a uma moralidade ao apresentar os resultados de escolhas erradas. A própria objetividade do autor sacro leva-o a não suprimir detalhes históricos desagradáveis – e mesmo tais detalhes conduzem a um ensino por contraste, originando esperança (Rm. 15:4).


Com respeito a juízo divino, que convocava guerras e ordenava a morte de seres humanos, é preciso que se entenda que a sociedade patriarcal no Oriente Médio não era individualista como a nossa. A sociedade era um organismo muito mais integrado. Por isso, a corrupção total de uma cultura, visível em práticas degradantes (mesmo aos olhos permissivos de cidadãos pós-modernos) afetava toda a sociedade. Estupro, assassinato, pedofilia, necrofilia, prostituição ritual, sacrifício de crianças ainda vivas, entre outras práticas, acompavanhavam sociedades cananitas. Não à toa, o Senhor Deus considerou tais culturas irrecuperáveis e ordenou sua destruição. A medida foi drástica, mas o que seria hoje de nossa sociedade se aquelas práticas se perpetuassem?[5]


Embora o julgamento divino assuma facetas sombrias (do ponto de vista do século XXI), o que dizer de inúmeras passagens bíblicas no AT que ressaltam a misericórdia divina? (Ver, por exemplo, Ex. 33:19; Sl. 69:16; Jr. 31:3; Lm. 3:22). Para alguns estudiosos, se somássemos apenas os textos do AT que retratam as misericórdias divinas, teríamos um livro maior do que todo o NT!

Plotz argumenta que, caso todos seguissem estritamente o texto bíblico, “seria um pesadelo, uma catástrofe.”[6] E ele segue citando algumas das regras circunstanciais do AT, dadas para um fim determinado, e que certamente o próprio Deus não tencionava que perdurassem para além da época em que seriam úteis. Em meio a tantas confusões com respeito às regras bíblicas, David Plotz sustenta contraditoriamente que, por um lado, a Bíblia deveria ser lida por todos, por ser “a fonte original para muitos aspectos de nossa civilização e cultura”; por outro lado, ele crê que seu livro possa substituir a Bíblia, por resumir adequadamente o livro sagrado (de uma perspectiva inadequada, em nossa avaliação)[7].

Que um judeu faça afirmações tão ousadas e descabidas sobre o livro santo, só se pode concluir o que João apresenta no preâmbulo de seu evangelho: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (Jo. 1:11).


[1] Veja “Como viver biblicamente de verdade”
[2] “Moisés, o toxicômaco”.
[3] “Não ler a Bíblia é como ser cego”, entrevista cedida a José Antônio Lima, Época, 30 de Março de 2009, nº 567, pp. 96-98. Daqui para frente, NLBC
[4] NLBC, p. 98.
[5] Leia outras considerações sobre esse mesmo tema em “
A destruição dos cananeus” e Rubem Aguilar, “Genocídio: Deus estava no controle?”
[6] NLBC, 98.

[7] Idem.

[Questão de Confiança]